sexta-feira, 13 de maio de 2011

SACRIFICANDO A CIDADANIA

Por Dr. Afranio Garcez.

Dr. Afranio Somos sim, ainda uma democracia relativamente jovem, e que no século passado não passava mais que no máximo 2 décadas sem que houvesse um golpe militar, ou mesmo civil, como por exemplo o aplicado por Getúlio Vargas, isso sem contar com as tentativas de golpes, como a ensaiada por Jânio Quadros que acabou por levar o País a uma cruel ditadura que durou mais de 2 décadas. Hoje, no entanto, temos um regime democrático de direito e de fato. Então questionar mais o que? Ora, nós brasileiros temos uma tendência muito grande de depositar enorme confiança aos recém-chegados ao poder, e num primeiro momento criamos expectativas, inclusive, no consciente do imaginário popular até mesmo soluções que julgamos ser passiveis de realizações instantâneas. No entanto, há um verbo que cria uma resistência que distancia a realidade factível da solução mágica, o nome do verbo que resiste, e faz imperar a burocracia chama-se “prometer”. No discurso é transitivo, na ação administrativa possui caráter defectivo.

A euforia inicial transforma-se em descrença e fica arraigada a personificação de soluções de problemas de uma sociedade como um todo, e ai se o santo demora a fazer um milagre ou, não o faz, então de maneira natural surge o desencanto, o desalento e a desesperança. Numa sociedade pluralista e com tantas demandas evidentemente que desde o menor dos municípios às grandes metrópoles, e por que não dizer cosmópolis, obras simples como saneamento básico, calçamento e asfaltamento de ruas, cuidado com praças, jardins, monumentos públicos, e até mesmo a criação de bibliotecas não somente para os jovens, mas também para todos, são hoje quando reivindicados pela população, ou verificados pela mídia de uma forma geral, são vistos por muitos gestores, apenas como promessas “a serem cumpridas assim que houver verbas” ou então como critica tão somente pela critica, o que não é verdadeiro. É neste instante que a lua de mel antes existente na relação cidadão-politico-administrador transforma-se em lua de fel, quando não se verifica o imediato pedido de divórcio litigioso pela maioria da sociedade. Na verdade é que nunca a população se sentiu tão desassistida quanto hoje, e é fácil verificar essa situação senão vejamos: faltam escolas efetivamente transmissoras de conhecimento, hospitais públicos dignos do juramento de Hipócrates, crise fiscal, escorcha tudo sob o comando da burocracia que gera falhas mas administrações e há a locação inepta de recursos. Na obra “Ana Karenina” Leon Tolstoi faz uma observação: “todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira”. Daí estar a imperar um forte clamor pela ética na política nacional e inclusive a existência de diversos setores que clamam por uma reforma policia partidária que venha a diminuir a quantidade exagerada de partidos políticos que em nome desta ou daquela ideologia, chega-se até ser verificado que seus membros partidários padecem de credibilidade e que certas normas a eles associados, contribui para a formação de ambientes da mais absoluta falta de credibilidade e assim vai se criando um circulo vicioso onde as manipulações crescentes debilitam as instituições e quebram toda a esperança existente na maioria dos indivíduos enquanto entes coletivos. Isso equivale dizer: tire de alguém a esperança, o trabalho honesto e imediatamente verá uma vida ceifada. Assim também se quebra um direito fundamental do ser humano, qual seja, a ninguém e dado o poder de atentar ou causar algum tipo de dano à vida do seu semelhante e nem tampouco tirar sua dignidade, roubar os seus sonhos, matar seus direitos e sacrificar a cidadania.
FONTE: Dr. Afranio Garcez via e-mail.

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