quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Apertem os cintos: Pistas de voo na Bahia abandonadas há décadas

FONTE: Tribuna da Bahia
Odília Martins
O estado do aeródromo de Canavieiras é deplorável

Das 83 pistas públicas de voos baianas, 23 estão interditadas e somente oito têm balizamento noturno e, portanto podem funcionar à noite. Os 52 aeródromos restantes operam de forma limitada. É asfalto precário, mato grande, invasão do trânsito local, de animais e das antenas de telefonia num espaço que deveria ser exclusivo para o pouso das aeronaves. O abandono é total e não é de agora: 12 pistas de voos deixaram de existir há mais de 30 anos.

“Tinha pistas em Taperoá, Nilo Peçanha, Camamu, Itapebí e Itanhém, mas isso faz mais de 30 anos. Em Oliveira dos Brejinhos, Medeiros Neto tem uns dez anos que não tem mais pista. Em Gamboa do Morro, Praia do Forte, Senhor do Bonfim e Itamaraju também não existem mais. A de Itacaré foi abandonada há mais de 15 anos”, diz o gerente comercial da Abaeté Linhas Aéreas, Álvaro Guimarães.


O diretor de operações da Abaeté Linhas Aéreas, Tiago Tosto, faz uma observação. “O que acontece também é que muitas dessas pistas eram de barro e ficavam posicionadas próximas às cidades que com o desenvolvimento foram sendo tomadas”.

Embora o crescimento dos municípios interfira na questão, não justifica a série de “sepultamentos” de hangares, uma vez que muitos governos se passaram e sem contar a verba do Governo Federal disponibilizada desde 1992, quando foi criado o Programa Federal de Auxílio a Aeroportos (PROFAA), mas para isso projetos têm que ser enviados.

Entretanto, pistas em funcionamento, ainda sem interdição oferecem muitos riscos para aeronaves. “Poções mesmo, o lixão fica perto do aeroporto. Esplanada também tem lixão. Isso é muito ruim porque atrai pássaros para o local e pode haver uma colisão, atingir uma das turbinas”, afirmou Álvaro, que citou ainda as pistas de Piatã, Livramento de Brumado e Ituberá como as que estão ativadas, porém oferecem risco de operação.

Pedaços de asfalto, brita, mato e outros destroços podem chegar ao ponto de quebrar uma aeronave, a depender do tamanho do estrago. “As vezes uma pedrinha daquela machuca o avião. Se uma pedra de dois centímetros entrar na turbina do avião pode destruir o motor com tudo. Um conjunto de paletas é algo em torno de U$ 200 mil dólares”, afirmou Tiago Tosto.

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