Ativistas da oposição denunciaram uma nova chacina em vilarejos na província
BEIRUTE — Enquanto a comunidade internacional voltava a dar demonstrações claras, em Washington e Pequim, de que uma saída para a crise síria pela via diplomática está distante, ativistas da oposição denunciaram nesta quarta-feira, menos de duas semanas após o massacre de mais de 108 pessoas em Houla, uma nova chacina, desta vez em dois vilarejos na província de Hama e com pelo menos 78 vítimas. A TV estatal voltou a atribuir as ações a grupos terroristas.
O novo massacre, que não pôde ser confirmado ontem por fontes independentes, teria sido similar ao do dia 25 de maio. Primeiro, relatam os ativistas, os vilarejos foram alvos de bombardeios do Exército e, depois, invadidos por membros da milícia Shabiha, a mesma da chacina de Houla e que apoia o regime de Bashar al-Assad. Entre os mortos, estariam ao menos 40 mulheres e crianças, muitos deles assassinados de forma sumária, segundo os ativistas.
— Temos dezenas de mortos nos povoados de Al-Kubeir e Maarzaf, entre eles cerca de 20 mulheres e 20 crianças — disse Mohamed Sermini, porta-voz do Conselho Nacional Sírio, principal grupo de oposição a Assad.
Militares já vinham ocupando há dias os arredores dos vilarejos, que ficam a cerca de 20km da capital, Hama. Na ação, teriam sido usadas armas de fogo e armas brancas para realizar as execuções, e várias casas foram queimadas. A ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, baseada em Londres, cobrou uma resposta rápida da comunidade internacional.
“Os monitores internacionais (da ONU) têm que ir imediatamente à região. Eles não podem esperar até amanhã (quinta-feira) para investigar esse novo massacre. Eles não devem dar a desculpa de que a missão é apenas para observar o cessar-fogo, porque muitos massacres já foram cometidos durante a presença deles na Síria”, disse o Observatório em comunicado.
Até aqui, a principal consequência do massacre de Houla — atribuido por Assad a grupos terroristas — foi a decisão das principais potências ocidentais de expulsar os embaixadores sírios de seu território. A tomada de medidas mais drásticas, no entanto, continuam esbarrando na resistência de Rússia e China. Em comunicado conjunto, os dois países voltaram a rejeitar a opção de intervenção militar em Damasco, dizendo que uma mudança no regime poderia ser desastrosa para os sírios e para a região. E deixaram claro a adoção de uma posição conjunta para tratar da questão.
Também nesta quarta-feira, empresários sírios que vivem no exterior criaram um fundo de 300 milhões de dólares para apoiar rebeldes que lutam contra as forças do presidente Bashar al-Assad, afirmaram militantes da oposição. O fundo será baseado em Doha. De acordo com Wael Merza, secretário-geral da oposição do Conselho Nacional Sírio, metade do dinheiro já foi gasto.
FONTE: O Globo
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