Temer surpreende com 'sincericídio' sobre plebiscito
por GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
A oposição acusou nesta quinta-feira (4) o governo de "fracasso" ao admitir publicamente que não terá condições de viabilizar o plebiscito sobre a reforma política para valer em 2014. Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) disse que o plebiscito sobre a reforma política "já nasceu morto", por isso o governo agora reconhece que a realização da consulta popular seria "inviável".
Ao comentar a declaração do vice-presidente Michel Temer de que a reforma política proposta no plebiscito poderá não valer para as eleições do ano que vem, o tucano disse que a proposta era um "engodo".
"O que estamos assistindo, infelizmente para o Brasil, é o fim antecipado de um governo que não consegue dar respostas, não consegue mostrar efetivamente que tem disposição", afirmou.
Líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP) disse que o governo tinha a intenção de desviar os focos dos reais problemas do país ao sugerir o plebiscito. "É um retumbante fracasso da presidente Dilma, que tirou esse coelho da cartola para desviar o povo de seus reais problemas sem consultar a Justiça Eleitoral e a Constituição", afirmou.
Para o presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), o vice-presidente sempre reconheceu nos bastidores que a realização do plebiscito será inviável. "Essa tese de plebiscito, a essa altura, acabou. Os líderes governistas já entenderam que foi entregue ao Congresso a tarefa de gastar R$ 500 milhões para votar ilegalmente uma coisa que não ia ter eficácia para o país."
ELEIÇÕES
A oposição também se mostrou contra a realização do plebiscito junto com as eleições de 2014, como está em discussão no governo. "Em 2014, eu quero o governo Dilma e apresentar propostas. E não discutir sistema eleitoral em plena eleição. É um biombo através do qual o governo vai querer se esconder", disse Aloysio Nunes.
Para Aécio, o governo deve concentrar suas ações em projetos importantes para a população até o final do ano que vem, sem discutir o futuro antes do fim do mandado da presidente. "Nós da oposição defendemos que, votada a reforma política, possamos submetê-la a um referendo junto com as eleições do ano que vem. Isso é racional, isso é bom para o Brasil. O resto é engodo."
O presidente do PSDB voltou a acusar Dilma de usar "monólogos" no caso da reforma política, sem dialogar com os principais envolvidos para a sua execução, que são os deputados e senadores. "Ela chamou um segmento da sociedade que o governo controla. Muitos que recebem mesada do governo. E ignorou segmentos políticos que representam metade da população brasileira", atacou Aécio.
Ao classificar a proposta do plebiscito de "bumerangue", Aécio disse que o "erro" do governo teve "velocidade própria" que mostrou que ela não seria viável. "A presidente da República está conhecendo a velocidade do erro. A Constituinte durou 24 horas e a proposta do plebiscito não durou duas semanas."
RECUO
Sob pressão dos próprios aliados no Congresso, o governo descartou nesta quinta-feira realizar um plebiscito sobre a reforma no sistema político brasileiro para valer nas eleições de 2014.
A ideia que mais ganha força é que seja realizada uma consulta popular sobre a reforma política no segundo turno da disputa eleitoral do próximo ano, com validade para as eleições de 2016.
A decisão foi anunciada pelo vice-presidente Michel Temer e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) após se reunirem com oito líderes de partidos na Câmara. Depois, Temer soltou nota para dizer que foi "mal interpretado" pelos líderes que o plebiscito ainda é tema de discussão no governo.
O Palácio do Planalto nega que haja a construção de um discurso político para tentar uma saída honrosa após ver a proposta do plebiscito para 2014 ser derruba pela própria base aliada.
O vice-presidente, no entanto, admite que o plebiscito possa ser inviabilizado se o Congresso Nacional se antecipar e conseguir aprovar uma reforma política antes da consulta.
FONTE: FOLHA DE S. PAULO

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