sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A perigosa cooperação nuclear entre o Irã e a Coreia do Norte

missilO míssil iraniano Shahab 3, inspiração norte-coreana

O Irã dos aiatolás e a Coreia do Norte da monarquia comunista não são países unidos por coisas boas. Ambos são muito religiosos e marcados pelo culto a personalidade de seus líderes. São países repressivos (muito pior na Coreia do Norte), com inimigos comuns (EUA) e tratados com mais camaradagem por outros (Rússia e China).

E ambos possuem afinidades inquietantes na frente nuclear. Existem evidências de cooperação na área e uma longa história de compartilhamento de tecnologia de mísseis, que remonta aos anos 80. A cooperação inclui a venda de tecnologia e armas norte-coreanas como o míssil BM-25, capaz de portar uma ogiva nuclear e atingir a Europa Ocidental; o míssil iraniano Shahab 3 é baseado no norte-coreano Nodong 1 e pode alcançar Israel e engenheiros nucleares iranianos estão na Coreia do Norte. Por sua vez, cientistas norte-coreanos visitam frequentemente o Irã.

A Coreia do Norte é um regime repressivo e uma corporação criminal. Ela subsiste graças a negócios ilícitos. Proliferação nuclear é uma forma de conseguir moeda estrangeira ou petróleo. O regime de Pyongyang, portanto, tem o incentivo de transferir tecnologia ou mesmo uma bomba para quem pague, mesmo uma organização terrorista, mas um parceiro ideal realmente é o Irã.

Uma reportagem no jornal Jerusalem Post sugere que os norte-coreanos possam ter feito o terceiro teste nuclear de sua história, nesta semana, em nome do regime de Teerã, na presença de cientistas iranianos. Na mesma linha, autoridades americanas disseram ao New York Times que os “norte-coreanos podem estar fazendo testes para dois países”, especulação reforçada pelas informações de que este último teste, ao contrário dos dois primeiros (realizados com plutônio), foi feito com urânio enriquecido

Talvez seja hiperbólico dizer que os iranianos terceirizaram seu programa nuclear para os norte-coreanos (expressão de David Pilling no jornal Financial Times), mas a ameaça de proliferação é cada vez maior. Estamos diante de dois regimes delinquentes, perigosos e fervorosos. Com suas ambições, eles são capazes de deflagrar uma corrida nuclear em suas respectivas regiões. Ambos querem extorquir legimitidade e garantias de segurança da comunidade internacional, enquanto avançam com seus programas nucleares (a Coreia do Norte ja tem seu arsenal de bombas, em um número indefinido, talvez em torno de meia dúzia).

Irã e Coreia do Norte são alvos de lances que misturam sanções internacionais, pressões diplomáticas multilaterais, ofertas generosas e acenos de ações militares. No entanto, estes dois países-párias avançam com o seu desafio. Nos dois casos, a margem para boas opções para enfrentar o problema é cada vez mais estreita. Há menos apetite para algum ataque militar contra a Coreia do Norte do que contra o Irã, mas mesmo no segundo caso existem muitas dúvidas que traga resolução ao problema.

O mundo está em uma enrascada, enroscado neste eixo do mal.

FONTE: VEJA

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