quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dez maneiras de criar um delinquente

por André Luís Roque Cardoso

Há três anos, eu e minha esposa percebemos a necessidade de incluir no curso de Pedagogia Musical (formação de professores de música), a matéria Liderança Ética & Filosofia Kodály, como forma de conscientizar nossos alunos sobre a grande diferença entre um educador de fato e um mero transmissor de conhecimento. Assim, em resumo, o que você vai ler agora são as dez maneiras fáceis de se criar um delinquente. Trata-se de uma lista (de dez itens divididos em sete grupos) preparada pelo Departamento de Polícia de Houston, Texas, EUA:

I. Nada de privações 1- "Comece, na infância, a dar ao seu filho tudo o que ele quiser. Assim, quando ele crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de dar-lhe o que deseja";
2- "Quando ele disser nomes feios (palavrões) e gestos obscenos, ache graça. Isso o fará considerá-los interessantes", satirizando, ignorando ou até repudiando a elegância, os bons modos e os bons termos;

II. Nada de fé 3- "Nunca lhe dê orientação religiosa. Espere até que ele chegue aos 18 anos, para que ele decida por si mesmo", pois ele já terá passado pelos primeiros dez anos de vida, onde o principal de sua personalidade já está acabado, terminado, concluído";

III. Seja seu empregado 4- "Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas etc... Faça tudo para ele. Isso fará com que o seu filho não assuma a responsabilidade de seus próprios atos. Ou seja, aprenderá a jogá-la sobre os outros, enchendo a si mesmo de desculpas e atenuantes, socialmente destruidoras”;

IV – Seja indiscreto e de baixo nível 5- "Discuta com frequência na presença dele. Assim, não ficará muito chocado quando o Lar se desfizer mais tarde. Afinal, a Família só é a célula da sociedade";

V – Risque as palavras Diálogo, esforço e conquista do seu dicionário. 6- "Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser. Nunca o deixe conquistar dinheiro por seu próprio esforço: afinal, por que ele teria que passar pelas mesmas dificuldades que você passou?";
7- "Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida, conforto. Negar ‘pode acarretar frustrações prejudiciais’ e isso o faria discernir valores. O principal para que ele se torne um mau caráter é pensar que o que divide o bem e o mal é isto: o quanto de prazer tem ou não; e nada mais que isso";

VI – Seja incondicionalmente a favor dele(a) 8- "Tome o partido dele contra vizinhos, professores e policiais. Afinal, não importa o que digam dele, você ‘tem certeza que todos os outros tem má vontade com seu filho, que é melhor e superior aos outros’";
9- "Quando ele se meter em alguma encrenca, dê está desculpa: ‘Nunca consegui dominá-lo’. Somado aos outros itens, isso dará a ele um poder maravilhoso para tornar-se uma pessoa incrivelmente ousada para o crime”;

VII – Estimule-o à invejar e trapacear 10- "Quando seu filho(a) chegar em casa com algo que você não lhe deu nem ele conquistou, diga-lhe que ele(a) foi esperto, que o mundo é dos espertos. E, é claro, se alguém ferir seu filho (ou filha), não investigue a razão, mas diga-lhes para fazer o mesmo. Não dialogue com seu filho pacientemente, nem vá até o local para reconhecer os fatos, nem fale para ele(a) sobre perdão, hierarquia e coisas como admirar e ser confiável”.
"Depois disso tudo, prepare-se para uma vida de desgostos. É o seu merecido destino". Afinal, você fez tudo o que era preciso para que seu filho (ou filha) odiasse qualquer forma de esforço, sacrifício, senso de justiça, cooperação fraterna e autocontrole".

CONCLUSÃO - Há duas leis que o ser humano precisa viver para ser feliz. A primeira é a lei da admiração e da confiança: precisamos admirar ao invés de invejar; e merecermos confiança, que é diferente de confiar, pois se confiar pode ser arriscado, ser confiável é uma obrigação. E a segunda regra é viver a chamada Lei do Contraste, já que o cérebro precisa da comparação para perceber as coisas. É aqui que entra o papel da privação. Através da privação temporária ou cíclica, conseguimos ver e valorizar o que temos. Do contrário, ricos ou pobres, sempre teremos uma desculpa para sermos ingratos, depressivos, insatisfeitos. Um brinde à ciência, à fé e ao bom senso!

André Luís Roque Cardoso é professor de Liderança Ética, na Escola de Música Artes e Melodias, onde é sócio-proprietário. Contato: harmonia.21@gmail.com.

FONTE: A Tribuna

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