Com apenas dois meses de mandato ela é chamada de ''dama de ferro''
A primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), tem apenas dois meses de mandato mas já carrega uma alcunha de peso: dama de ferro. Assim como Margaret Thatcher, que foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro- ministro da Inglaterra, a petista recebeu o mesmo apelido por ser firme e não temer as dificuldades. Eleita com 56,07% dos votos válidos, em seu discurso de posse, prometeu erradicar a miséria, honrar as mulheres e lutar pelos direitos humanos. Mas, antes de chegar à presidência da República, ela trilhou um caminho de muita luta e trabalho. Nascida em Belo Horizonte, quando jovem, aderiu aos ideais socialistas e dedicou-se à luta contra a ditadura instaurada após o Golpe Militar de 1964. Foi presa e torturada. Com o fim do regime, Dilma formou-se em economia, reconstruiu a vida no Rio Grande do Sul e decidiu entrar para a política. Foi nomeada secretária estadual de Minas e Energia e, no governo do ex-presidente Lula (PT), assumiu o Ministério de Minas e Energia e a Casa Civil.
Com atuação de destaque, a presidente ganhou visibilidade no País e internacionalmente. Em 2009, a revista Época a indicou como um dos 100 brasileiros mais influentes do ano e, em novembro de 2010, após ser eleita, a revista Forbes classificou Dilma como 16ª pessoa mais poderosa do mundo. Espera-se que, pelo menos, durante os próximos quatro anos continue fazendo história.
Na militância política
Aos 16 anos, em plena ditadura, Dilma Rousseff deu início à sua militância política. Em 1964, entrou para organizações clandestinas que defendiam a luta armada contra o regime militar como a Política Operária, o Comando de Libertação Nacional e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares.
Em 1970, foi presa e torturada nos porões da Operação Bandeirante e no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Como nunca participou de ações armadas, a Justiça Militar a condenou por subversão, com pena de dois anos e um mês de prisão. Com o fim da reclusão, Dilma mudou-se para o Rio Grande do Sul e dedicou-se à campanha da anistia e, anos depois, pelas Diretas Já – movimento pelas eleições diretas para a Presidência da República, em 1983. E com o marido Carlos Araújo ajudou a fundar o PDT do Rio Grande do Sul, em 1979.
Reconhecimento profissional
Em 1993, Dilma Rousseff foi indicada pelo então governador do Rio Grande do Sul, Alceu Collares (PDT), para assumir a Secretaria estadual de Minas e Energia. Com a aliança PDT e PT, Olívio Dutra foi eleito governador do Estado e Rousseff foi mantida no cargo. E, em 2001, ela filiou-se ao PT.
Com aumento de 46% da capacidade do sistema energético gaúcho, o que tirou o estado do processo de racionamento de energia, Dilma ganhou destaque nacional. Como reconhecimento do trabalho competente que desenvolveu, o então presidente Lula convidou-a para participar da equipe de transição do governo e depois para ocupar o cargo de ministra de Minas e Energia. Em 2005, ela assume a chefia da Casa Civil, onde coordena o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida.
A primeira ‘presidenta’
Dilma já era apontada à sucessão do ex-presidente Lula desde abril de 2007. Mas, apesar de ser a ministra de maior destaque do governo, a indicação recebeu críticas porque ela nunca havia concorrido a cargos eletivos e não era popular.
Com o apoio de Lula, Dilma elegeu-se em outubro no segundo turno e tornou-se a primeira presidente do Brasil ou presidenta, como gosta de ser chamada. “Dilma tem a firmeza de gerar confiabilidade. Um presidente da República não põe uma pessoa que antes não concorreu a nenhuma outra eleição se não tivesse absoluta confiança nesta pessoa. É uma pessoa que o Brasil pode confiar”, afirma a senadora Lídice da Mata (PSB).
Dilma na ativa
Dos 37 auxiliares diretos, entre secretários, gestores de órgãos especiais e ministros de Dilma Rousseff, nove são mulheres. O objetivo era compor o ministério com 1/3 de mulheres mas, apesar de não ter alcançado o objetivo, conseguiu um número três vezes maior que o do governo do ex-presidente Lula.
No dia 1°/3, ela fez a primeira visita oficial à Bahia, onde deu inicío às comemorações do mês da mulher. Na ocasião, também anunciou o reajuste no valor do Bolsa Família e investimentos de US$ 675 milhões para a construção de um terminal de Gás Natural Liquefeito da Petrobras na região da Ilha dos Frades, Baía de Todos-os-Santos.
Intimidade da presidente
Dilma Rousseff casou-se pela primeira vez em 1967 com o militante político e jornalista Cláudio Galeno. Mas eles divorciaram-se no final da década de 70. Depois, manteve um relacionamento por 30 anos com o ex-guerrilheiro e ex-deputado gaúcho Carlos Araújo, com quem teve uma filha. Em abril de 2009, Dilma descobriu que estava com câncer linfático. Ela então decidiu raspar o cabelo antes que começasse a cair, em função das sessões de quimioterapia, e passou a usar peruca. Em setembro do mesmo ano a presidente estava curada.
Conquista feminina
As mulheres representam apenas 10% dos cargos eletivos no País, enquanto contabilizam 52% do eleitorado. Para a cientista política Analice Costa, a eleição de Dilma já é um grande avanço. “Ter uma mulher na Presidência é a mudança da mentalidade. Há uma expectativa de que a maioria das mulheres tomem Dilma como referencial”, explica. A deputada estadual Neusa Cadore (PT), faz coro: “A vitória de Dilma nos dá a certeza de que a democracia brasileira está amadurecendo”.
FONTE: Jornal da Metrópole

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