domingo, 15 de novembro de 2009

15 de novembro é data desconhecida por maioria dos baianos

Quadro do pintor Benedito Calixto representando a Proclamação da República

Ao lado, quadro do pintor Benedito Calixto representando a Proclamação da República

Indagada sobre a importância do 15 de novembro, que para os adeptos do “enforcamento” este ano caiu em pleno domingo, a estudante universitária Grace Bezerra, 24, não exita: “15 de novembro é o quê, que eu esqueci agora?”. Abastecida a sua dúvida, eis que responde: “Então vamos lá: eu me lembro que na época em que eu fazia o primário era uma data mais comemorada, a gente vai crescendo e perdendo o hábito. Olha, não vou mentir, não tenho muita identificação com datas”.

O que aconteceu naquele fatídico amanhecer em que o marechal Deodoro da Fonseca deu o golpe de estado responsável por derrubar a monarquia não parece familiar à maioria dos soteropolitanos. A TARDE foi à rua e entrevistou engenheiros, aposentados, estudantes, funcionários públicos e profissionais liberais, mas nenhum soube descrever corretamente o 1889 no Rio de Janeiro. Historiadores explicam que o desconhecimento vai além de um 2° grau mal feito.

Mestre em história social e professor de história do Brasil com ênfase na Bahia, o pesquisador Edinaldo Souza explica que a proclamação foi liderada por setores do Sudeste, e que na Bahia não contava com a simpatia popular, tampouco das oligarquias agrícolas. Tanto que os baianos só conheceram o golpe às 16 horas do dia 15. “O Estado foi a última a aderir. Aqui, a República só foi proclamada no dia 16, e re-proclamada no dia 17”.

A “dupla” proclamação se deu, de acordo com o historiador, porque o recém nomeado ministro Ruy Barbosa não ficara satisfeito com a indicação de Virgílio Damásio para governador, preferindo Manoel Vitorino. “É provável que o povo não tenha visto com bons olhos a queda do imperador (D. Pedro II), muito porque a proclamação chegou numa época de popularidade da monarquia, em decorrência da abolição da escravatura um ano antes”. Terem transformado a figura do inconfidente Tiradentes em ícone republicano foi outro sintoma dessa impopularidade.

Tal qual a cena protagonizada por Deodoro no Rio, na então Praça da Aclamação, aqui houve um  movimento mais ou menos encenado e sem a participação do povo. Em Salvador, os dois golpes foram selados no Forte de São Pedro, próximo ao Palácio da Aclamação do Campo Grande, mas “não foram recebidos com festa”. Aos acostumados com as tradicionais mobilizações do 2 de julho, um aviso: a ignorância está, em parte, perdoada.

FONTE: A TARDE ON LINE

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